
Gabriela Pozeti: da graduação ao doutorado, a trajetória de uma engenheira movida pelo aprendizado contínuo
Aeaanap inicia série que destaca profissionais que constroem a engenharia em Adamantina e região
Valorizar histórias reais por trás dos projetos, obras e estudos técnicos é o objetivo da nova série da Aeaanap (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Nova Alta Paulista). A iniciativa da revista da entidade passa a apresentar trajetórias de profissionais que ajudam a construir a engenharia em Adamantina e região – e a primeira delas é da engenheira ambiental Gabriela Pozeti, cuja carreira é marcada pela persistência, recomeços e constante busca por conhecimento.
O INÍCIO
Desde jovem, Gabriela já sabia que queria cursar uma faculdade. “Sempre sonhei em fazer faculdade, e por ser a neta mais velha, seria a segunda pessoa da família a ter graduação”, relembra. Inicialmente inclinada ao Direito, área em que se espelhava na tia, percebeu que aquele caminho não a representava totalmente.
O interesse pela engenharia surgiu após conversar com um profissional da área e aprofundar pesquisas. “Fiz vestibular para três opções: Engenharia, Direito e Biologia… acho que sempre tive um pé no meio ambiente. E aqui estou”, conta.
FORMAÇÃO E INÍCIO DA CARREIRA
Conciliar trabalho e estudos foi um dos primeiros grandes desafios. “Além de trabalhar o dia todo, ia para a faculdade no período noturno. Bancar uma faculdade e outros custos durante cinco anos era bem difícil”, afirma.
No último ano da graduação, precisou cumprir estágio obrigatório, mas não poderia sair da cidade. Foi quando surgiu a oportunidade na empresa Geo-Analítica, em abril de 2013. “Em agosto fui contratada, e esse ano completo 13 anos na empresa”, destaca.
Sobre o início da carreira, ela é direta: “O maior desafio foi executar o serviço. O que aprendemos na faculdade é bem superficial. A experiência vem no dia a dia.”

O MOMENTO DECISIVO
Após se formar em 2013, Gabriela constituiu família e teve dois filhos, em 2016 e 2017. Durante cerca de 10 anos, não deu continuidade aos estudos. Até que decidiu mudar essa realidade.
“O momento decisivo foi quando resolvi que queria voltar a estudar. No final de 2022, com as crianças maiores, comecei a pesquisar sobre pós-graduação”, relata. Em vez de seguir o caminho mais comum da área, optou por tentar o processo seletivo do Programa de Pós-Graduação em Agronegócio e Desenvolvimento da Unesp Tupã.
“Com muito esforço e dedicação, passei no processo e consegui finalizar o mestrado no início de 2025, já matriculada no doutorado”, comemora.
ENGENHARIA INTEGRADA E EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO
Hoje, como mestra e doutoranda na linha de desenvolvimento e meio ambiente, Gabriela enxerga a profissão de forma mais ampla. “Vejo a engenharia ambiental de um modo integrado e desafiador diante dos cenários atuais. Posso dizer que estou feliz com o meu lugar na engenharia hoje”, afirma.
Para ela, o maior desafio profissional é manter-se em constante evolução. “Estar em movimento, ‘aprender a aprender’ todos os dias, este é o maior desafio. Não sabemos tudo, sempre tem algo novo para aprender.”
A atualização tecnológica também é parte essencial da rotina. “Estar atualizada e ter a inovação tecnológica como ferramenta no dia a dia facilita e traz resultados promissores na atuação como engenheira. A experiência agregada às ferramentas traz base sólida na execução de projetos.”
ENGENHARIA E QUALIDADE DE VIDA
Gabriela destaca que a engenharia está presente em todos os aspectos da sociedade. “Um projeto ou estudo errado pode impactar tanto de forma econômica e social, mas principalmente ambiental. A qualidade de vida depende da integração das áreas de estudo. O olhar interdisciplinar e sistêmico é crucial.”
Sobre o mercado, ela observa uma mudança significativa. “Ouvi por um tempo que a engenharia ambiental estava saturada. Mas a verdade é que está mais em alta do que nunca. As oportunidades ocorrem para os profissionais que se mantêm em movimento.”
CONSELHO AOS NOVOS PROFISSIONAIS
Ao falar sobre as habilidades indispensáveis, ela reforça que o conhecimento técnico, sozinho, não basta. “Vivemos em um mundo que prioriza os saberes técnicos, mas esquecemos das soft skills. Ética, empatia, liderança, resiliência e trabalho em equipe são fundamentais.”
E deixa um conselho direto a quem deseja seguir na área: “Não parem nunca de estudar. Aprimorem-se, mas não deixem de ser humanos na profissão. Nunca esqueçam do porquê escolheram a engenharia.”
Atualmente dedicada ao doutorado e à futura defesa de tese, Gabriela encara o aprendizado como um ciclo contínuo. “Aprender sobre uma área nova é desafiador, mas gratificante. Acho que quando terminar o doutorado vou procurar outro desafio”, diz, entre risos.
Ao participar da edição da revista, ela resume o sentimento: “Espero que minha história inspire novos profissionais e principalmente mulheres. Nunca é tarde para aprender absolutamente nada.”



